sábado, 13 de fevereiro de 2021

Rival em campo, inspiração fora: Corinthians se espelha no Flamengo para organizar finanças!

 Sábado, 13 de fevereiro de 2021. 

Timão estuda reestruturação do clube carioca na década passada e faz contato com ex-presidente rubro-negro Eduardo Bandeira de Mello; veja planos e medidas já adotadas.

Por Ana Canhedo, Bruno Cassucci, Marcelo Braga e Rodrigo Capelo — São Paulo

Duilio Monteiro Alves, presidente do Corinthians, e Eduardo Bandeira de Melo, ex-presidente do Flamengo
Foto: Infoesporte

Dentro de campo, o Flamengo é o primeiro dos quatro desafios que o Corinthians tem até o final do Brasileirão em busca de uma vaga na próxima Libertadores. Já fora, o Rubro-Negro serve de inspiração para a nova diretoria alvinegra, que tomou posse no início do ano e busca sanear as contas do clube.

Na sexta-feira, dois dias antes do duelo entre paulistas e cariocas, que acontece às 16h deste domingo, no Maracanã, o diretor financeiro do Corinthians, Wesley Melo, teve uma reunião virtual com Eduardo Bandeira de Mello, ex-presidente do Flamengo. Queria colher mais detalhes sobre o processo, iniciado em 2013, de redução das dívidas rubro-negras em paralelo com a multiplicação das receitas do clube.

Antes da conversa, o diretor corintiano já havia estudado relatórios sobre o Flamengo da empresa de auditoria Ernst & Young e buscado outras informações deste "case".

O Corinthians chegou a ocupar o posto de clube mais rico do Brasil na década passada, mas os últimos anos foram de muitos gastos e poucas taças.

Sucessor de Andrés Sanchez, Duilio Monteiro Alves chegou à presidência do Corinthians com um discurso de austeridade. Em vez da promessa de contratações bombásticas e elencos estrelados, assumiu o compromisso de um clube mais organizado e preparado para o futuro.

A realidade se impunha. Na gestão passada, da qual Duilio fez parte como diretor de futebol, a dívida do Timão saltou de R$ 469 milhões em 2018 para R$ 920 milhões em setembro do ano passado (última parcial divulgada pelo clube). Considerando a inflação do período, isso representa um aumento de 48,5%.

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A pandemia de Covid-19 complicou ainda mais a situação. O Corinthians atrasou salários do elenco, algo que raramente aconteceu nos últimos anos, e passou a ser alvo de uma série de cobranças na Justiça.

Ciente da urgência de mudança, o clube contratou a empresa Falconi, uma das maiores no segmento de consultoria de gestão no Brasil.

A companhia vai ajudar o clube a formular um planejamento estratégico para os próximos anos, com metas e maior controle orçamentário. Serão analisados os custos e receitas de todos os departamentos e até mesmo a viabilidade de algumas modalidades esportivas – em seu site oficial, o Timão diz ter 19 competitivas e 21 associativas.

Inicialmente, a intenção é reduzir em 20% as despesas, inclusive no futebol. Por isso, cartolas têm dito em entrevistas que poucos reforços devem chegar na próxima temporada.

A ideia é usar atletas pouco aproveitados no elenco como moedas de troca. A venda de jogadores também é tratada como indispensável para fechar as contas no azul.

– Temos que ter uma gestão responsável, nos preocupar com os compromissos que temos que honrar. Estamos trabalhando em alongamento de compromissos, para ganhar fôlego. Com certeza será uma gestão pés no chão, com pouco investimento imediato no futebol e em outras áreas. Vamos trabalhar em duas frentes: reduzir despesas e aumentar receitas – declarou Duilio, logo após tomar posse, no mês passado.

De modo geral, a recuperação financeira do Flamengo pode ser dividida em três fases:

  • 2013 a 2015: o clube passou por um momento de grande austeridade e deu prioridade ao pagamento das dívidas;
  • 2016 a 2018: gestão aumentou os aportes no futebol para trazer grandes nomes, como Diego, Everton Ribeiro e Vitinho;
  • 2019 e 2020: agressividade no mercado e investimentos altos para contratar e manter atletas.

Vale ressaltar que a inspiração do Corinthians no Flamengo se limita ao saneamento financeiro. Os paulistas divergem dos cariocas em outras questões administrativas e políticas, como ficou evidente em episódios recentes. Um deles foi a discussão sobre a volta do público aos estádios. Enquanto o Rubro-Negro defendeu o retorno dos torcedores às arquibancadas, o Timão se posicionou de maneira contrária. Os clubes também foram antagônicos em relação à chamada "Lei do Mandante", sobre os direitos de transmissão televisiva dos jogos.
Na classificação do Campeonato Brasileiro os clubes estão separados por 16 pontos. O Flamengo tem 65, um a menos que o líder Internacional. Já o Corinthians tem 49, ocupando a oitava colocação.

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