Domingo, 05 de abril de 2026.
O Botafogo entrou com uma ação contra o Lyon na Justiça do Rio, nesta sexta-feira, cobrando uma dívida superior a R$ 745 milhões. O clube francês faz parte da Eagle Football, rede multiclubes liderada pelo empresário americano John Textor, dono da SAF do alvinegro carioca.
Em nota, o Botafogo afirmou que a ação tem por objetivo assegurar o retorno de valores devidos pelo Lyon, bem como resguardar o patrimônio do clube e garantir o o fortalecimento do projeto esportivo do time alvinegro. A diretoria afirma que vai tomar todas as medidas judiciais cabíveis para reaver o dinheiro.
COMUNICADO
No comunicado, os cariocas afirmam ter realizados sucessivos empréstimos ao clube francês, adquirido em 2022 pela Eagle em “em situação de insolvência”, com a expectativa de reembolso dos valores em condições previamente estabelecida entre as partes.
“Posteriormente, em meio a conflitos internos entre sócios do Grupo Eagle, a nova presidente do Olympique Lyonnais rompeu unilateralmente o acordo de colaboração. Apesar de ter se beneficiado dos recursos recebidos, o clube francês deixou de cumprir as obrigações assumidas, recusando-se a efetuar o pagamento da dívida aos clubes do Grupo Eagle de R$745 milhões ao Botafogo, e outros 12 milhões de euros ao RWDM Brussels”, diz trecho da nota.
“A inadimplência gerou impactos diretos na operação do Botafogo, comprometendo o planejamento financeiro e afetando a capacidade de renovação e contratação de atletas. Como consequência, o Clube foi, inclusive, alvo da aplicação de um transferban pela Fifa no final de 2025”, continua.
CAIXA ÚNICO
Textor adotou um caixa único entre os clubes da Eagle como estratégia competitiva. O modelo permitiu ao Botafogo realizar contratações de altos valores, como o atacante da seleção brasileira Luiz Henrique (atualmente no Zenit) e o argentino Thiago Almada (no Atlético de Madrid). O clube carioca montou um time competitivo o bastante para conquistar a Libertadores e o Brasileirão em 2024.
Pelo lado do Lyon, o jornal francês L’Équipe revelou recentemente que o clube foi surpreendido por cobranças de “transferências fantasmas” envolvendo jogadores que atuaram no Botafogo e abriu investigação para apurar as ocorrências.
NO LYON
O Lyon recebeu cobranças da empresa de investimentos “MCCP Investment Partners”, que antecipou receitas relativas às negociações de cinco jogadores: Igor Jesus, Luiz Henrique, Savarino, Thiago Almada e Jair Cunha, que nunca jogaram pelo time francês.
As transferências nunca foram registradas pela Liga Profissional de Futebol da França. Dos cinco jogadores, apenas Almada chegou a ser inscrito no elenco do Lyon. Com as negociações, a “dívida declarada” do Lyon atingiu cerca de 120 milhões de euros.
TEXTOR
Textor enfrentou problemas políticos e financeiros na França. O Lyon chegou a ser rebaixado administrativamente por infringir regulamentos financeiros da Ligue 1 e o americano precisou renunciar ao comando do clube após disputas com acionistas.
Ao mesmo tempo, Textor viu a Ares Management e a Iconic Sports – fundos de investimento que financiaram a compra do time francês, estimada em US$ 940 milhões (R$ 5,2 bi) – tentarem tirá-lo do comando da Eagle pela falta de pagamento.
O americano também enfrenta problemas com o clube associativo do Botafogo, que trava guerra judicial com dono da SAF alvinegra por suposta gestão temerária. A Justiça mantém Textor no comando do futebol botafoguense, mas com restrições. O balanço da SAF deve apontar uma dívida de R$ 2,7 bi.
Fonte: AFI - Via Agência Estado.