quinta-feira, 26 de março de 2026

Gringos jogando no Brasil: São 160 estrangeiros na Série A do Campeonato Brasileiro.

Quinta-feira, 26 de março de 2026.

Na Data Fifa de março de 2026, um número recorde de estrangeiros que atuam no Brasil foi convocado. Só o Palmeiras teve oito jogadores gringos chamados por suas seleções. Uruguai, Paraguai e Colômbia somam 19 jogadores atuantes no país convocados, com destaque para atletas de Flamengo, Internacional e Fluminense.

As seleções convocaram seus jogadores para os amistosos que acontecem nos próximos dias em todo o mundo, servindo como preparação para a Copa do Mundo de 2026. Na América do Sul, um detalhe que chama a atenção é a quantidade de jogadores gringos atuando nas principais equipes brasileiras.

Somente o Uruguai, do técnico Marcelo Bielsa e que vai ter importantes duelos contra Inglaterra e Argélia, possui na lista oito nomes que atuam no futebol brasileiro: Varela, De La Cruz e Arrascaeta (Flamengo), Piquerez e Emiliano Martínez (Palmeiras), Rochet (Internacional), Puma Rodríguez (Vasco) e Canobbio (Fluminense).

Já o Paraguai, comandado pelo técnico Gustavo Alfaro e que encara Grécia e Marrocos, chamou seis atletas: Gustavo Gómez (Palmeiras), Junior Alonso (Atlético-MG), Balbuena (Grêmio), Bobadilla (São Paulo) e Sosa (Palmeiras). A sexta novidade que atua no país é o meia Mauricio, também do Palmeiras, chamado pela primeira vez após adquirir a cidadania paraguaia.

A Colômbia também conta com um grande número de atletas brasileiros, cinco no total. O time do técnico Néstor Lorenzo, que vai enfrentar Croácia e França, conta com Jhon Arias (Palmeiras), Carrascal (Flamengo), Andrés Gómez (Vasco), Carbonero e Borré (Internacional).

Considerada uma das principais seleções do mundo e atual campeã da Copa, a Argentina só levou um jogador que atua no Brasil: o atacante Flaco López, do Palmeiras.

Esses números refletem aumento cada vez maior de atletas atuando no Brasil: são 160 estrangeiros na Série A do Campeonato Brasileiro, e um dado chama a atenção: depois de cinco anos, o número de atletas vindos da Colômbia igualou aos do Uruguai, com 29 cada um. A última vez que a quantidade de jogadores colombianos havia igualado ou superado a de uruguaios foi na edição de 2021, com 21 x 12. Os números são do Transfermarkt.

"A Colombia é o país mais parecido com o Brasil no continente. Sua miscigenação, a presença de diferentes climas e relevos, e vários aspectos culturais, que fazem do seu campeonato, o mais parecido com o nosso, com vários clubes se alternando na conquista do título. É natural e deveria ser constante a presença relevante de colombianos no nosso campeonato, também porque as grandes seleções formadas por eles, se destacavam por um jogo tecnicamente qualificado, mais funcional que posicional, e muito mais próximo do nosso do que o equatoriano, por exemplo, cada vez mais pautado em força e velocidade em detrimento de outras valências", explica Renato Martinez, vice-presidente da Roc Nation Sports, empresa de entretenimento norte-americana, comandada pelo cantor Jay-Z, que gerencia a carreira de centenas de atletas.

“O crescimento do número de estrangeiros no futebol brasileiro é um reflexo direto de um mercado mais estruturado e atento às oportunidades. Hoje, há um mapeamento muito mais estratégico por parte dos clubes, que enxergam na América do Sul um celeiro de talentos com rápida adaptação ao nosso contexto competitivo. No caso dos colombianos, especificamente, existe uma identificação cultural que facilita esse processo. Esse movimento precisa estar sempre alinhado a critérios claros de desempenho, perfil e potencial de valorização, para que a vinda de atletas de fora não seja apenas uma reposição, mas um ganho real de competitividade e ativo para o clube”, afirma Dado Cavalcanti, gestor técnico da Squadra Sports.

Assim como nas últimas temporadas, o número de argentinos segue em evidência, este ano com 47 no total (29,4%). Fica abaixo das duas últimas temporadas, com 52 em 2025, e 48 em 2024. Na sequência desses três países, aparecem Paraguai, com 11, Equador, com 10, e Venezuela, com 5.

Entre os atletas com maior destaque, de acordo com o Transfermarkt, aparecem o argentino Flaco López, do Palmeiras, com valor de mercado de 22 milhões de euros, seguido pelo uruguaio Arrascaeta, do Flamengo, e o colombiano Jhon Arias, do Palmeiras, avaliados em 15 milhões de euros cada um.

“A presença de estrangeiros atuando no Campeonato Brasileiro soma para a visibilidade e qualidade técnica da liga. O Brasil reúne grandes clubes, estádios cheios, visibilidade global e um nível técnico cada vez mais alto. Nossos jovens da base também mostram que nosso talento está no DNA. Dessa forma, juntar o que já temos com mais qualidade eleva nossa competição e nosso produto a novos universos”, afirma Marcelo Teixeira, presidente do Santos.

"Historicamente, o Internacional sempre foi muito receptivo com jogadores de fora do país. A proximidade geográfica e cultural com Argentina e Uruguai favorecem essa integração”, afirma Alessandro Barcellos, presidente do clube de Porto Alegre.

Entre os times com mais jogadores de fora do país, a lista é encabeçada pelo Grêmio, com 14, seguido por Fluminense, com 13, Botafogo, com 12; e Athletico-PR, São Paulo, Remo e Internacional, com 10.

“Nos últimos anos, o futebol brasileiro deixou de ser apenas um exportador de talentos e passou a se posicionar também como um mercado estratégico dentro da cadeia global do esporte. Hoje, os clubes estão mais organizados, as competições mais estruturadas e a exposição internacional muito maior. Isso faz com que o Brasil se torne uma vitrine atrativa para atletas de diferentes países, que enxergam aqui competitividade, visibilidade e potencial de valorização”, afirma Alexandre Frota, ex-presidente do Ceará Sporting Club e CEO da FutPro Expo, evento inédito direcionado para negócios no futebol que acontece entre os dias 7 e 9 de maio, em Fortaleza.

"O Brasil voltou a ser uma vitrine atrativa. Clubes daqui têm conseguido oferecer bons contratos e uma projeção espo rtiva que não deixa de ser estratégica. Para muitos atletas jovens, ficar ou retornar significa jogar em alto nível, estar mais próximo da seleção e ainda garantir segurança financeira, algo que, no passado, só o futebol europeu parecia proporciona", acrescenta Claudio Fiorito, presidente da P&P Sport Management Brasil, especializada no gerenciamento da carreira de atletas.

Marcos Casseb, sócio da Roc Nation Sports Brazil, que gerencia a carreira de centenas de atletas, deixa claro que existe uma demanda real por qualidade competitiva, mas ela é amplificada pela regra que facilita a entrada de estrangeiros e pelos fatores financeiros e de visibilidade do mercado brasileiro.

Fonte: Da CNN Brasil

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