Terça-feira, 17 de fevereiro de 2026.
| Slavko Vinčić, um dos principais árbitros em atividade na Europa (Foto: Divulgação-Uefa) |
Questionada nos quatro cantos do
planeta por causa do absurdo crescimento de erros apresentados nos jogos, a
arbitragem mundial vem sendo cobrada à exaustão por profissionalismo. Vitrine
do futebol, a Europa quer servir de espelho para correções e
aperfeiçoamentos e fez uma lista do que espera, cobrando proteção a
jogadores (coibir entradas duras), combate aos exageros e utilização do VAR
somente para correção de erros.
As normas definidas em reunião na sede da Uefa serão colocadas à prova já a partir dos playoffs da Champions League neste meio de semana. Os árbitros, além de estarem em constante avaliação, terão reconhecimento de seu trabalho e os melhores receberão premiações. Eles passaram por uma semana preparatória e esperam mostrar em campo o que aprenderam.
ENTENDA
Diretor de arbitragem da Uefa,
Roberto Rosetti passou uma firme mensagem na qual a segurança do atleta será a
prioridade em campo. “Continuaremos a ser rigorosos. O foco é sempre
proteger os jogadores.”
Para isso, um estudo foi feito sobre
onde ocorrem as entradas mais desleais. “Nosso departamento de
arbitragem analisou todos os cartões vermelhos relacionados a faltas graves em
nossas competições masculinas de clubes nesta temporada, identificando
tendências claras que exigem que os árbitros permaneçam atentos”, explicou.
“Notavelmente, metade de todos os
lances graves de jogo sujo ocorrem em uma zona específica do campo, perto das
áreas técnicas, onde a emoção e a proximidade com a comissão técnica podem
levar a entradas mais violentas. Uma parcela significativa de entradas
violentas também surge de situações como perda de controle da bola, bolas
quicando e disputas de bola dividida, momentos em que os jogadores
instintivamente se esticam e correm o risco de colocar um adversário em
perigo”, detalhou.
A entidade reforça que apenas os
capitães têm acesso á comunicação com os árbitros e não medirá esforços para
extinguir/reduzir os exageros em campo, em claro combate à simulação. No jogo
entre Botafogo e Flamengo no Carioca, sábado, o árbitro foi bastante cobrado
por não anotar um empurrão na origem do lance do gol de Lucas Paquetá e, logo
depois, anotar falta em lance idêntico.
“O que vemos na televisão nem sempre
é o que o árbitro vê em campo”, disse Rosetti, admitindo que ângulos, proximidade e
velocidade afetam a percepção. “A mensagem para os árbitros é que
permaneçam vigilantes, mas justos e que saibam distinguir faltas genuínas de
reações exageradas destinadas a enganar.”
Nesses casos o VAR poderia ser
utilizado, mas o chefe de arbitragem quer que a ajuda tecnológica seja
utilizada apenas em último caso e para corrigir equívocos. “Precisamos
lembrar por que o VAR foi introduzido e criado para corrigir erros. A
tecnologia é excelente para decisões objetivas, como impedimentos, mas para
julgamentos subjetivos, precisamos ser cautelosos, porque quando revisamos
pequenos detalhes, estamos tornando o jogo mais lento.”
DETALHES
Por fim, a Uefa tenta ajustar as
faltas por mão na bola. E instruiu seus árbitros para avaliar alguns quesitos.
São eles: a atitude e a intenção do jogador, verificar se os braços estão em
posição natural, especialmente ao cair ou recuperar o equilíbrio e contato após
um desafio físico, onde desvios podem ser inevitáveis. “Os árbitros
europeus precisam falar a mesma língua técnica para garantir decisões
consistentes em todos os continentes.”
Usando a mão na bola como exemplo, o
diretor explicou que as diferentes interpretações entre as ligas “criam
confusão” para jogadores, treinadores e torcedores. “Por isso, nosso
departamento de arbitragem mantém um diálogo constante com as federações
nacionais, trabalhando em conjunto para aprimorar as diretrizes e reforçar uma
interpretação unificada em todo o continente.”
Fonte: AFI
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